As definições de “Hackathon” foram atualizadas.

O melhor hackathon que fui. Até agora.

Há muito tempo atrás, não lembro exatamente como, chegou em minhas mãos o link do Hackathon da Globo. Já tinha ouvido falar de como tinha sido o Hack in POA, bem como a sabia que Globo.com estava criando uma cultura interna de hackathons (por meio da excelente palestra do Rômulo Tavares, da globo.com, que dividiu palco comigo no Alagoas DevDay 2015).

Só estes dois pontos já eram motivos o suficiente (apesar de eles estarem errados — esclareço mais a frente). Mas ao abrir o site, mais coisas impressionantes: o objetivo era comer o maior número de pizzas (isso de fazer produto faz parte, mas é aside); o Felipe Andreolli e o Tiago Leifert nos chamando pra participar; e a cereja do bolo: seria na casa do BBB.

O Big Brother Brasil é que nem Tibia: todo mundo tem vergonha de assumir, mas já jogou (ou, no caso, assistiu). Independente de ser bom ou não, não vou ser hipócrita e dizer que não assisti (e curti) o BBB em dado momento da vida. Jamais negarei a Máfia Dourada. Ter a oportunidade de entrar na casa do BBB — claro, sem precisar ser um BBB, como civil comum — mesmo que por única e exclusiva ~zueira é uma oportunidade que você não pode desperdiçar quando o universo te dá. Então, me inscrevi no ato.

Nesse meio tempo, eu literalmente esqueci de que tinha me inscrito. Uma semana antes (na sexta) recebi uma inesperada ligação de DDD 21, que virou uma entrevista por telefone, que horas depois garantiu minha vaga no Hackathon da Globo.

Então senta que lá vem história.

Os Hackathoners

Essa é uma daquelas fotos que a gente tira pra por de cover nas redes sociais

Apesar da baixa divulgação, foram quase 2000 inscritos que tentaram entrar na Casa Mais Vigiada do Brasil™. Destes, 400 foram selecionados na peneira pela produção. Os 400 viraram 40 após as entrevistas.

É uma das poucas vezes que concordo com a máxima de que o importante é participar. De fato, só de ter sido selecionado pela Globo, entre 2000 pessoas, já é uma vitória. Dá até pra por no LinkedIn pra parecer mais profissa.

A experiência como todo do hackathon foi fantástica, mesmo ganhando ou perdendo (como foi meu caso). Como o Adjamilton disse, ainda na padaria de frente à Globo pela manhã: “mesmo que você não seja foda, ao ser selecionado, você ganhou o título de foda”.

A Casa

O principal ponto a se tocar sobre a experiência do hackathon não poderia ser outra coisa: ser na casa do Big Brother. Tal qual em a ilha em LOST, a Casa era um participante importantíssimo na história.

Como o meu amigo de infância Felipe Andreolli bem comentou, num tom jocoso — e porque não dizer polêmico — que seríamos as pessoas mais inteligentes a terem entrado naquela casa. A desconstrução do “padrão” do que ocorre na própria casa (e que, veja você, a própria Globo vende) feita foi genial.

Se as pessoas entram lá pra mostrar os corpos, nós entramos pela mente.

Se as pessoas entram lá não podem ter nenhuma comunicação externa, nós tinhamos acesso a absolutamente tudo aqui fora (sábia escolha da equipe, afinal não dá pra ter hackaton sem Stackoverflow)

Se as pessoas entram lá pra se eliminarem, estavamos lá pra criar algo, compartilhar conhecimento. Ainda que numa competição.

E por aí vai. A equipe do hackathon pensou e planejou tudo com muito carinho. O famoso Q da Globo estava lá, o tempo todo, em todos os lugares.

Sobre a casa em si não há muito o que fazer: é aquilo mesmo que você vê na televisão. Pra não dizer que não há nada de diferente, eu (e vários colegas de hackathon) acharam a casa bem menor do que ela aparenta. É tudo mais próximo e mais ~aconchegante~ do que a mansão que aparenta ser na televisão.

Obviamente, a estrutura não era examente a mesma: só tinhamos um quarto com camas mesmo. A sala e o outro quarto estavam ocupado por mesas para utizarmos. A academia, no primeiro andar, também estava ocupada por mesas. O confessionário (que diferente do resto da casa, é bem maior do que parece) estava com um Xbox One e alguns joguinhos.

O melhor lugar da casa, obviamente a cozinha, estava cheia o tempo todo. A geladeira estava sempre cheia com Red Bull e Toddynho. O que foi ruim (porém muito bom) é que a Globo não cumpriu a promessa de competirmos com o máximo de pizzas: tinhamos comida, e boa, o tempo todo. E mesmo quando as refeições tinham acabado/não tinham sido servidos ainda, tinhamos sanduiches e lasanhas-crush na geladeira. Tudo isso sem precisar fazer prova da comida.

Os Mentores

Esses cara são moh dahora mano. Na moralzinha.

Lembra que eu disse que estava errado lá no começo do post? Então.

Eu estava errado em um ponto interessantíssimo sobre o hackathon, que talvez você não saiba até agora: apesar de ter sido todo trabalhado nas tecnologia, o hackathon não foi da Globo.com. Ele foi da Rede Globo. Da TV.

Que diferença isso faz? Ah, meu amigo. Toda.

A gente se esquece, mas a Globo é uma das maiores redes de TV do mundo. Entretanto, quase que imediatamente, limitamos nossa ideia de tecnologia relacionada a Globo a Globo.com, sendo que a Globo.com é apenas mais uma das empresas do Grupo Globo.

Parando pra pensar dois minutos, é óbvio que a TV Globo teria uma equipe espetacular de Tecnologia. Fiz questão de dizer em alto em bom tom “Caras, ninguém sabe que vocês existem!”. E, de certa forma, o próprio Hackathon foi uma resposta a essa pergunta.

Eles sabem que ninguém sabe (ainda) que eles existem. O Hackathon foi uma das primeiras iniciativas dessa nova Globo, mais aberta para o novo (desculpa Record). A Globo sempre teve esse estigma de ser fechada e auto-suficiente. Essa renovação é tão interna quanto externa, refletindo na própria programação.

Quem imaginaria um programa como o Tá no Ar a alguns anos, passando na Globo? Possivelmente, só o mesmo cara que achou que a Globo ia fazer um Hackathon um dia.

E todos os nossos mentores, parte da equipe de tecnologia da Globo, aproveitaram ao máximo a oportunidade de liberdade, quase como se fosse passageira: claramente todos estavam tão empolgados quanto nós, os participantes, de estarem sendo parte daquilo. Vinham sempre perguntar o que estavamos fazendo, debater ideias, imaginar cenários, sugerir funcionalidades e melhorias.

Os caras são tão fodas que vou até postar outra foto deles.

Saca o sorrisão honesto de quem não manipula a grande mídia nacional para interesses da própria corporação, rsrsrs #humor #comédia #hackathonglobo

De brinde, a galera do TechTudo tava lá fazendo uma cobertura, já que o site estava transmitindo ao vivo que nem o BBB, porém com dignidade. Ou quase. Dá pra ver todas as matérias que sairam durante o hackathon aqui.

Nosso Projeto

Créditos da foto ao meu irmão Felipe Andreolli tamo junto aqui é Corinthia mano. Lusa é o caralho!

Nossa equipe se formou quase que organicamente. Ok, teve uma ajudinha aqui e outra ali, já que eu fazia bastante questão de estar no time da Alda, do GDG São Paulo, tendo em vista que elá manja dos desaig e time que só tem programador é a maior bosta do mundo.

O Yelken, recifense e rei do camarote dos hackathons, me identificou logo no aeroporto e já combinamos de estar no mesmo time também. Viemos no mesmo voo, com a mesma finalidade, e não sabiamos. Então parabéns a Gol Linhas Aéreas pois claramente estava vendendo o trecho mais barato REC->GIG nas datas próximas ao Hackathon. Porém ainda prefiro a TAM.

Quase no final entrou o Adjamilton, que tinhamos já trocado uma ideia na padoca na frente da Globo que foi o esquenta, dado que ele também era nordestino.

Caro leitor, não sei se já notou que no momento já temos a equipe com os nomes mais dahora o possível: Adjamilton, Alda, Joselito e o Yelken.

O último a entrar foi o Gabriel, nosso Arma X, que você pode achar que é a exceção que prova a regra, porém o seu segundo nome é Ilharco. Curiosamente, ele de primeira não acreditou muito na ideia que estava se formando (e provavelmente ele estava corretíssimo, tendo em vista que não ganhamos) mas quando fizemos o brainstorm, toda nossa equipe se alinhou e resolvemos criar o Minha Globo.

Que orgulho. Joga demais esse menino Neymar.

Nos preocupamos primeiro em formar um time a tentar fechar a ideia inteira do projeto. Juntamos ideias de todos, lapidamos, fizemos um Trello físico (usar papel é mais bolado nas câmeras, tudo marketing) e começamos a trabalhar.

Algumas telíneas do Minha Globo

O Minha Globo tem como intenção principal criar uma experiência única de produtos da Globo, usando a grade da TV Globo de esqueleto. Cada usuário teria um perfil próprio e único, baseado em suas redes sociais.

Com esse perfil formado, analizamos e indentificamos o que da programação da Globo é mais atrente para aquele perfil. Algum perfil pode curtir mais as Novelas, Encontro e Fantástico, outro os Jornalisticos, Futebol e Formula 1. Os perfis tem infinitas possibilidades.

Nós fazemos essa análise usando Big Data e montamos uma espécie de grade única da Globo para cada pessoa: em uma timeline, mostramos o passado (o que rolou nos seus programas favoritos, em texto e vídeo), o futuro (prévias sobre os próximos programas) e o presente: nele, todas as interações de outras pessoas que estão comentando sobre o programa nas redes sociais, bem como conteúdo do próprio programa, surgem em tempo real.

Um parentesis interessante a ser aberto aqui é pra ressaltar a liberdade que tinhamos, nosso app tinha o nome da Globo; e mais que isso, nós usavamos o imaculado logo da vênus platinada modificado. Se a esmola é demais, não desconfia não. Aproveita.

Nós usamos de base, para o Hackathon o Twitter. Quem assiste MasterChef sabe o quão dahora o Twitter é nas terças-feiras à noite. Nós não quisemos criar uma rede social (isso seria um flop instantâneo), nós utilizamos todas as informações que já estão por aí. Só que filtradas, organizadas e direcionadas únicamente para cada pessoa.

Essa foto eu tirei por que achei muito bonita e ia por no Instagram. Porém tava realmente trabalhando e esqueci de postar =/

O mais legal é como nós — aliás, todas as equipes — se entregaram na proposta do Hackathon.

Como o Fernando falou, da Equipe 1, “eu abriria uma empresa com a equipe do Hackathon”. É a mais pura verdade. Todo mundo ali estava acreditando muito nas suas ideias, e usando isso de motivação principal: ninguém estava lá pra fazer algo bonitinho ou feito puramente pra impressionar os jurados.

Era o mínimo que poderíamos fazer ao ganhar o título de fodas por parte da Globo, certo?

Nossa apresentação (slides) você pode ver aqui. Contei a historinha da Bianca, do Gabriel e da Ana (todos homenagens, em especial ao Gabriel Pedro, que provavelmente sem ele não conseguiria ir ao Rio) enquanto o Yelken falou de como funcionava o BigData e o Gabriel Ilharco demonstrava o app.

O projeto de todas as equipes foram show show, bem diferentes uns dos outros. Não é a toa que os jurados demoraram uma hora lá para decidir quem seriam os premiados. Quase um conclave.

E sim. Premiados. Por que, por mais lugar comum e piegas que isso pareça, todos que ficaram ali até o final (teve gente que não aguentou, sorry) eram vencedores.

Nós fomos os Kléber Bambam do Hackathon da Globo. Já podemos atacar de DJ na noite paulistana e cobrar para aparecer em festas de 15 anos.

O Legado

Mortos, mas ficamos até empurrarem a gente pra fora da casa com vassouras variadas.

Fomos parte do primeiro. É bem legal iniciar alguma coisa. A gente não sabia exatamente o que ia rolar, e na real, nem o pessoal da organização saberia o que podia acontecer.

O mais legal é que um colosso como a Globo se dispondo a fazer a um Hackathon ajuda (e muito) a espalhar a ideia e faz com que pessoas se interessem mais nesse mundo ~tecnológico~

A parte mais legal da tecnolgia é que não há limites de verdade: a gente pode se sentir a vontade de criar qualquer coisa. Se não for possível no mundo que a gente vive, a gente inventa um mundo diferente e vida que segue, deus no comando.

Sendo assim, para ajudar a espalhar a palavra, criamos um repositório que reúne as informações de todos os projetos: quem fez, como e porquê. A parte do como é a mais interessante: linguagens, frameworks e ferramentas que utilizamos para construir nossos projetos.

O repositório é esse aqui: https://github.com/joselitojunior/hackathon-globo. Em breve, assim espero, estaremos com todas as equipes documentadas.

Assim, ajudamos as pessoas que participarão dos próximos hackathons, ou até as que nunca programaram na vida, que o que a gente faz nesses tais eventos não é ciência de foguete.

A gente só se diverte.

Então, teve aquela vez que eu perdi o meu celular

Não conhece ninguém que usou aquela funçãozinha de achar o celular pelo GPS? Prazer, Joselito.

Era uma quinta-feira, início da noite. Diferentemente de como começam minhas histórias, não estava chovendo.

Estavamos saindo do escritório do Google em São Paulo depois do primeiro e longo dia de aprendizado no Community Summit. Obviamente, todos exaustos. Como o Google fica em uma avenida movimentada, não é a coisa mais difícil do mundo achar um táxi. Dentro de segundos vi um livre, acenei, e estava eu e mais 3 pessoas voltando para o Garoa Hostel, hostel extremamente amigável onde (quase todos) nós estavamos hospedados.

Uma das outras pessoas que estava no taxi era Bia, que organiza comigo o GDG Recife. E ela era uma dessas que não estava no mesmo hostel com o resto do pessoal. Por coincidência, ela estava se movendo do hostel para um outro hotel, mais próximo do Google.

Então, decidimos que, como tudo era caminho, eu iria descer com Bia e ajudar ela a levar as coisas pro novo hotel; o pessoal seguiria para o Garoa.

Olhos do gerente

Depois de 5 minutos para arrumar as coisas e uns 10 minutos do gerente com olhos do Gato de Botas tentando entender por que diabos o checkout já estava sendo feito (tecnicamente, não tinha passado sequer um dia) voltamos as próximidades do Google.

Descendo pro lobby do hotel, já estava puxando o celular pra pedir um Uber (afinal, já tinha gastado uma ida e volta só de noite, e tava afim de mais conforto), entretanto, havia uma parada de Táxi na frente do hotel. Oras, comparado ao tempo que teria que esperar, é mais vantagem pegar logo aqui né.

Entrei no táxi, ele me perguntou o destino, “Garoa Hostel” falei.

O carro deu partida, puxei meu celular e fui ver o Twitter. Foi um dia cansativo e tava morrendo de fome. Mas só chegando no hostel que eu iria pensar em alguma coisa.

Virando a Av. Faria Lima o taxista me questiona onde é o Garoa. Ele poderia ter me questionado antes de termos saído? Sim, com certeza. Mas por qual razão devemos facilitar as coisas?

— Fica na Rua Guaicui.
— Sabe o número?
— Não, mas a rua é pequena, chegando lá achamos bem rápido.
— O GPS não tá achando essa rua não.

É… Tem potencial. O Universo tava me afirmando, delicadamente, que vinha zoeira por aí.

— Vamos fazer o seguinte, eu abro o meu GPS aqui e ele vai indicar o caminho, beleza?

Abri o Google Maps (não me acostumo com o Waze nunca) e sem surpresa ele acha a rua e traça a rota. Observo que o celular tem 18% de bateria e até me tranquilizo, pois é bem mais que o suficiente pra o curto caminho.

Como se não bastasse, o taxista consegue errar uma rua ou outra e chegamos numa rua transversal à do Garoa. Resolvo pedir pra parar e descer ali mesmo.

Peço pra pagar com cartão de crédito. Prontamente aparece uma daquelas maquininhas Cielo ou o que seja e pago a corrida.

Morrendo de fome, desco do táxi e vou em direção ao Garoa. Como de costume, faço o que chamo de Check do Judeu: verifico se todas as minhas coisas que deveriam estar nos meus bolsos estão.

Relógio, check. Carteira, check. Chaves, check. Celular, ch-CADÊ MEU CELULAR!?!?

Meu celular não está no meu bolso. Desespero, olho pro chão buscando para ver se o mesmo caiu no caminho. Mas eu teria ouvido a queda, oras.

Milisegundos depois (todo o processo des de sair do taxi não durou 2 segundos) realizo o óbvio: deixei meu celular no táxi.

Olho pro lado na rua onde fui deixado. Aparentava que jamais um taxi estava presente ali em anos.

Invocando todas as gerações de demônios enquanto penso em paralelo formas de recupera-lo e se o Moto X estava em promoção (sério) vou correndo pro Garoa.

Chegando no Garoa, me bate um misto de sensações: tentar recuperar de alguma forma o aparelho ou fazer tal qual a a princesa Elsa e deixá-lo ir embora?

Minha mente pensa em tudo, menos no óbvio: o Android Device Manager. O Device Manager é tal qual sabonete na França: está lá, mas no fim das contas ele é tão pouco utlizado que não se lembra sequer da existência do mesmo.

Pensando agora, por sinal, creio que se usasse iPhone eu iria lembrar mais fácilmente do Find my iPhone. O Device Manager é menos popular, talvez?

Abro meu computador e acesso o site pra procurar meu telefone. Ai que entram dois desesperos: primeiramente, que se você leu o texto com atenção, meu celular a essa altura já estava no cheiro da bateria. E a outra é que eu uso Oi.

Eu não odeio tanto assim a Oi, mas só a uso pelo motivo de que as pessoas com que eu realmente telefono (sabe, telefonar? falar e tal?) usam Oi. Apesar do Oi Wi-fi gratuito, quando você estoura a sua cota diária de 4G, o uso de internet do aparelho fica impraticável.

Sim, claro que minha internet tinha estourado há tempos nesse dia.

Mas o Device Manager funcionara. Havia um ponto azul no mapa indicando onde o mesmo se encontrava, numa rua não muito longe do Garoa. Mas longe o suficiente pra não poder ir a pé, correndo tal qual um idiota que perdeu o celular no táxi.

Agora que tinha alguma noção de onde o aparelho estava resolvi arriscar de pegar ele de volta. No pior dos casos, eu tinha uma história boa pra contar.

Praticamente roubo o celular do Daniel, querendo o 3G do mesmo ser usado de Wi-fi na busca do Desejado das Gentes. O Táxi chega e vou eu e mais uns nego atrás do meu aparelho telefônico.

Chego ao taxista e pergunto se ele já viu filmes onde um táxi faz uma perseguição. Depois eu disse que era o dia de sorte dele, por que a gente iria fazer a mesma coisa.

Sabiamente, Jacques, que foi um dos que foi no táxi comigo foi no banco da frente e pegou o computador da minha mão, para o taxista se guiar melhor.

Aí que começa a ficar legal.

O Device Manager não funciona em tempo real (ou eu sou muito burro para saber habilitar isso, o que é perfeitamente aceitável). Então você tem que ficar apertando um botão para saber a posição do celular. Observe a situação: um computador conectado no 3G enviando uma mensagem pros servidores do Google, pra este servidor mandar uma mensagem pro meu aparelho e ele informar onde está. Depois todo o caminho de volta. Tudo isso por rede de celular.

Obviamente o delay era imenso. Então as poucas vezes que o botão funcionava, ele mostrava em direções não muito logicas no mapa, o qual tentavamos entender qual o caminho que o outro taxista estava indo. Chegamos a parar numa faixa que dividia uma bifucação para tentarmos calcular qual o melhor caminho pra ir.

Aqui gostaria de fazer um pequeno adendo: todos ali (inclusive o taxista) estavam se divertindo imensamente com a perseguição. Sim, talvez não faça sentido pra você, mas isso de pode falar (ainda que virtualmente) siga aquele carro e entrar numa perseguição era um dos itens da minha bucketlist.

Ainda no Garoa, eu tinha ativado o barulho de “perdido” do aparelho. Sabe quando um carro tem alarme e ele dispara e vira aquele inferno? Então. Isso por que você não viu um alarme de celular.

Sem sombra de dúvidas, o barulho dava pra ouvir se o aparelho tivesse NA MALA do carro. Foi uma das primeiras coisas que ativei, para talvez o taxista realizar que tinha um celular a mais no carro dele e fizesse o óbvio de retornar ao último destino para encontrar o possível dono.

Além disso, ativei outra coisa: você pode dar um lock geral no sistema que só desbloqueia com uma nova senha alfanumérica que você escolher no site do Device Manager. Além disso, ele substitui a lockscreen do celular por uma mensagem dizendo para ligar para o número X, e um botão verde IMENSO, onde basta toca-lo que o aparelho irá ligar para este e apenas este número. Eu tinha botado o número do Jacques para facilitar as coisas.

Mas esse taxista não entendia muito bem de como as coisas funcionam, como você pode notar desde o inicio do post.

Enquanto estamos a alta velocidade (sim) tentando achar o último ponto onde o táxi estava, chega uma notificação no meu Chrome, via Pushbullet.

Era o GPS, dizendo quantos minutos faltavam para chegar no Garoa (!!). Por um segundo eu me tranquilizei: o cara finalmente entendeu. Até que chegou outra notificação, dizendo que demorava ainda mais tempo pra chegar no Garoa.

Ai que me toquei de tudo: o Google Maps ainda estava aberto. Traçando a rota pro Garoa. Eu esqueci ele dentro do táxi justamente quando paguei a conta: ele estava em minhas mãos, pra guiar o taxista. Possivelmente, o coloquei no banco enquanto digitava a senha na maquineta e com a fome, esqueci completamente.

A boa notícia era que o Pushbullet estava mandando notificações curva a curva. A notícia ruim é que não tinhamos informações da posição do carro: o GPS dizia as ruas que o táxi deveria seguir para ir ao Garoa, e não as ruas que de fato ele estava. Então tivemos que fazer um mapa reverso supondo, de onde o GPS indicava pra o taxista entrar, qual a posição dele.

E entenda: não estavamos parados fazendo contas. Estavamos correndo de carro num meio de um trânsito infernal (perdão pelo pleonasmo) de São Paulo.

Em dado momento realizamos que ele estava retornando à Faria Lima, onde pensamos em algo bem óbvio: talvez ele estivesse voltando pra o hotel onde eu peguei aquele mesmo táxi.

Se a bateria já estava no cheiro, imagine agora. Possivelmente, estava funcionando apenas pela força da gravidade aplicada pelo próprio aparelho ao espaço ao seu redor.

Pegamos um atalho para chegar no hotel, passando de frente do Google mais uma vez, por que Murphy é um sádico. Chegando lá, tinha uma fila de uns 6 táxis. E bastante gente querendo sair.

Aí você me pergunta: você lembra do taxista não é? Minha resposta é: sons-de-grilo.wav

Felizmente, foi fácil de identificar: lembra que comentei que o aparelho apitaria tal qual um filho da puta? Lá estava ele, berrando a plenos pulmões nas mãos do taxista que claramente não estava entendendo o que diabos estava acontecendo. Neste momento, cheguei próximo a ele e disse: “Boa noite. Eu esqueci meu aparelho no seu carro, poderia me devolver por gentileza?”, antes que ele falasse algo, eu peguei, já que ele estava muito atônito pra falar alguma coisa.

Eu entendo o ponto de vista dele. Fazia 20 minutos que um celular berrava no carro dele sem saber qual a razão (apesar de não ser muito difícil adivinhar) e ao retornar a seu posto, ele encontra lá o passageiro que acabou de deixar em outro ponto pedindo aquele reprodutor de barulho de volta. Compreensível.

Retorno ao nosso táxi com um sorriso no rosto, bem como de todos os coleguinhas. Só não tocou We Are The Champions por quê não havia aparato para tal; nem deveria, já que a música é sobre gente normal e não campeões. E sem sobra de dúvida vencemos uma fase bônus da vida nesse dia, com direito a duplo XP.

Com a adrenalina tentando abaixar, seguimos de volta ao Garoa.

Ao chegar na porta do Garoa, apesar da fome, faço questão de registrar tal momento histórico com uma das peças fundamentais da sociedade contemporânea: o selfie.

A selfie da vitória com o taxista. Ele está no primeiro plano fazendo joinha com a mão esquerda.

ESTAMOS VENCENDO!

Só uma parte triste dessa história: eu anotei o e-mail do taxista para enviar tal retrato (ele não possuia cartão). Entretanto, o meu celular segundos depois da anotação (a mão mesmo, feita no QuickMemo+) descarregou e ele não salvou o e-mail. Se alguém conhecer o distinto taxista acima, favor encaminhar essa foto e postagem.

Eu não lembro que hora era, mas eu realmente estava com fome. Pedi um Beirute do sucesso (que demorou quase 1h pra chegar) e passamos a madrugada a dentro discutindo sobre comunidades, como fazer dinheiro só com código livre e finalmente vendo Marcelinho lendo Contos Eróticos.

tl;dr: Ative o Device Manager no seu Android, o Find my iPhone no seu iOS e ferramentas semelhantes no seu dispositivo móvel. Funciona. Sério.

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