Batman v Superman

O filme que a gente precisava, não o que a gente merecia.

Imagine estar três anos esperando muito por alguma coisa. Algo que, na verdade, uma legião de pessoas tem esperado por mais tempo do que você tem de existência.

Verdade. A três anos atrás só foi confirmada a certeza que esse dia chegaria.

Chegou. E se tem algo que Batman v Superman nos garante é que não teremos alguma certeza sobre o que foi filme. Como pode algo ao mesmo tempo parecer tão maravilhoso de um ponto de vista, e tão estranho, incoerente e incorreto de outro? O que foi que eu acabei de assistir afinal?

Segue uma fotografia tirada da minha pessoa no exato momento o qual saí da sala do cinema:

Joselito Júnior (Foto: Reprodução)

Não pretendo fazer uma crítica, review, ou algo assim que se valha. Apesar de até ter uma conclusão nesse texto. Se eu fosse classificar, eu diria que nada mais é uma reflexão. Vamos tentar, juntinhos, destrinchar essas duas horas e meia de loucura visual, sorrisos, lágrimas, sangue e imagens de dor e sofrimento.

E talvez, só talvez, tentar entender por que uma nota tão baixa dos críticos e uma boa recepção dos fãs.

Se você ainda não viu, no meu balanço, vale sim a pena ir no cinema ver. O filme não é ruim. E os motivos estão espalhados aí por baixo. Mas, definitivamente, não é aquilo que a gente esperava.

Talvez realmente era o que, por agora, a gente precisava.

Passando dessa linha, esteja sob aviso: vai ter spoiler e não vai ser pouco.

O filme do Batman

Claramente, na tela, estão sendo apresentados dois filmes distintos, num primeiro momento. Cada qual referente ao herói do título. Vamos começar sobre o filme do Batman.

Nossa, como esse Batman é foda. Esse sim é o Batman que eu sempre quis ver no cinema. Dentre os que eu vi, sem medo de errar, esse é a melhor retratação do Homem Morcego.

Eu teria todos os motivos do mundo pra desconfiar do Affleck como Batman pelo o que ele fez com o Demolidor (que por sinal, é meu herói favorito), onde afirmou com todas as letras que jamais faria outro filme de herói. Mas eu fui um dos que menos temeu essa ideia e a comprei logo de início.

O Affleck entrou completamente no espírito personagem, inclusive em seu contexto no filme. O Batman tá puto da vida com esse alienigenazinho que chegou agora e quer sentar na janela. Ainda que você não tenha achado o melhor Batman da história, uma coisa deve ser admitida: nenhum outro Batman, que não este, seria capaz de sair na porrada com um Deus.

E, além da boa atuação, temos de brinde uma das coisas que eu mais esperava no filme: um Batman surrealista. Que nem é na HQ.

Eu gosto dos filmes do Nolan, mas quem é fã sabe que aqueles filmes não são exatamente filmes de herói. O Nolan nos deixou mal acostumado com esse papo de “herói no mundo real”.

Em BvS ninguém se dá ao trabalho de explicar. O Batman é um milionário excêntrico que sai de noite vestido de morcego pra pegar bandido. Isso precisa ser surreal.

Logo no início do filme, Bruce levanta um dos pilares de ferro da Torre Wayne para salvar alguém. Isso não precisa de explicação por que a gente sabe que ele é o Batman. O Batman é forte pra caralho, muito mais que um ser humano normal, por que ele é e pronto. O hacking dele funciona daquele jeito por que sim. A armadura dele segura o Superman por que segura. E foda-se. Ele é o Batman, cacete! Sempre foi assim nos quadrinhos, finalmente é assim nos cinemas.

Justamente o que a maioria estava com medo foi o maior acerto do filme.

Não e à toa que o título é Batman v Superman e não Superman v Batman. E também talvez não seja que o Affleck foi entrevistado no Jimmy Fallon e o Cavill no Seth Meyers.

O filme do Superman

Primeiro vamos falar do do Henry Cavill. Ele nunca antes teve tão Superman quanto nesse filme, finalmente ele convence. Mas infelizmente não dá pra elogiar muito além disso.

No filme do Superman parece que não há protagonismo de ninguém: o tempo todo o Homem de Aço parece só reagir a situação. No filme inteiro ele aparenta tomar uma decisão própria somente em duas situações: a primeira é quando ele resolve quebrar o Batmóvel pra dar um “aviso” ao Homem Morcego; a segunda, quando ele resolve matar o Apocalypse.

Ou seja, nas únicas vezes que o Superman de fato age em cima de algo, ou ele não precisava, ou ele fez errado. Sem falar que o Apocalypse é um problema que nossa… vamos chegar nele mais à frente.

E o o pior, o piadista do filme, tem nome e sobrenome: Alexander Luthor.

Mas vamos chamar ele de

Mark Zuckerberg

Bem. Tem tanta coisa errada com esse Lex Luthor que não sei nem por onde começar.

Pra quem não conhece os quadrinhos e conhece o Lex Luthor por tabela, talvez não saiba de um fato importante: o Lex Luthor é um gênio. O Homem Mais Inteligente do Século XX. E ele usa essa sua genialidade como seu maior poder. O Lex é o rei dos mindgames, é o vilão que te convence com argumentos e lógica que você precisa fazer algo, mesmo sabendo que é errado.

Esse Luthor é um Coringa fajuto. Ele tem trejeitos terríveis e desnecessários para a construção do personagem, que em dado momento chegam a irritar.

Os planos dele no filme são TOTALMENTE a cara de algo que o Coringa faria. Explodir o Capitólio? Jogar a Lois do prédio? Capturar e torturar a mãe? Não dá pra ser mais Coringa que isso, sério.

A gente não precisava de mais um vilão pscicopata. O Batman já tem a cota completa pra todo Universo da DC. E isso não agrega nenhum ao filme, nem ao personagem, nem ao camarote.

Inclusive, sobre não agregar valores,

há História?

O Roteiro é o que deixa meu coração mais em conflito. Eu vejo que dentro desse imenso filme, há uma parte dele, que é um filme maravilhoso. Mas tem umas falhas tão absurdas que chega a dar umas tremedeiras nas pernas.

Os personagens femininos
Foi uma sacanagem o que fizeram com a Lois e com a Diana nesse filme.

A Lois foi reduzida a mocinha indefesa que serve de estopim pra o Superman aparecer na tela e a Lois sumir completamente. Durante o filme isso acontece umas quatro ou cinco vezes.

E a Diana realmente não merecia isso. A Gal Gadot realmente rouba a cena quando aparece, foi uma excelente escolha para representar a Mulher maravilha. Mas ela não poderia estar mais apagada no filme. O único momento que ela aparece no filme como Mulher Maravilha é numa luta que nunca deveria ter existido e que na real, ela não fez real diferença nenhuma.

A Mulher Maravilha está muito jogada, sem sequer ter uma introdução decente de personagem (e não me venha com essa de “todo mundo conhece”. Sabe quem todo mundo conhece? O Batman. E ele teve uma introdução). Era muito mais honesto e decente com o personagem e com os fãs ela ser introduzida em um filme futuro. Mas isso eu falo mais pra frente.

Sonhos
Apenas não. Não contribuiram em nada além de fazer confusão nos trailers. Pior parte do filme do Batman. Não valida nem pela referência a Red Son.

Poderes seletivos
O Superman tem tantos poderes que realmente não deve ser das coisas mais fáceis lembrar que eles existem.

Eu adorei o resultado da explosão do Capitólio, mas nunca que uma bomba que causaria um estrago daqueles ia passar livre no radar de alguém que tem visão de Raios X.

O Superman também consegue ouvir o choro da Lois de qualquer lugar do planeta e chegar em segundos pra salvá-la, não importa onde ela esteja, mas a própria mãe ele não consegue escutar e descobrir onde está. É a voz da mãe dele né, não é como se ele conhecesse ela toda a vida.

Sim, eu sei que essas brechas de poderes e existem e tudo se resolveria magicamente em vários casos, perdendo a graça, mas boas histórias não deixam isso entrar em contradição.

Mudança bruscas e soluções mágicas
O Lex conseguir tudo de um jeito tão ridiculamente fácil chega a dar certa agonia. Mas, por incrível que pareça, isso é o mínimo.

Pra destacar alguns momentos, a maneira com que o Superman simplesmente aceitou a propsota do Lex de ir sair na porrada com o Batman porque mamãe iria morrer é inaceitável. Se o Luthor não sabe onde a Martha tá, ele sabe quem sabe. Então ele que passe essa hora quebrando o Luthor na porrada até descobrir onde a Martha está.

E o ápice da mudança brusca foi no final da pancadaria entre os heróis, o Batman mudar totalmente de perspectiva e filosofia de vida por que uma mulher iria morrer. A última vez que eu vi uma mudança dessa acontecer o cara chamava Anakin Skywalker.

Queimada de cartucho
Por que o Apocalypse nesse filme? Porquê?

Se já é inaceitável a Diana ter aparecido, a existência e toda a sequência relacionada ao Apocalypse não faz o menor sentido existir para o filme. Teriam saídas muito melhores para concluir o filme, e já queimaram de agora um dos melhores vilões que podiam fazer um arco maravilhoso nos filmes da Liga da Justiça.

Além do spoiler terrível para quem lia os quadrinhos, que já sabia que o Superman iria morrer só de ver o Doomsday.

O Final
Corajoso. Mas cheio de pecados.

Eu já fui pro cinema esperando que o Superman morresse. O Apocalypse não ia tá ali pra brincadeira. Mas depois da morte dele, se passaram extensos minutos de melancolia e luto sem sentido, sobre o ocorrido. Eu achei três vezes que o filme deveria ter terminado e não aconteceu.

Seria perfeito se na hora que o emblema do Superman apareceu no caixão o filme tivesse terminado. Mas fizeram milhões de putarias para estimular a dúvida. Dúvida esta que não existe.

É óbvio que a gente sabe que o Superman não morreu.

Essa punhetagem no final me fez sair do cinema com um gosto amargo na boca, reclamando do filme por nao ter atingindo minhas expectativas. Só que ao mesmo tempo, eu não me sentia confortável. O filme tinha sido bom, falei isso pra todos e continuo dizendo. Que duplipensar é esse?

Aí eu fui ver o filme de novo.

Você diria não para este homem?

O Zack Snyder

Sim, eu vou ter a pachorra de defender o Snyder. E sem medo de ser feliz.

Sentar na cadeira de diretor de um Blockbuster não é das tarefas mais fáceis. Qualquer coisa que der errada, a culpa é sua. Os louros são distribuídos. E como eu sou grato por ser o Snyder que tá nessa cadeira.

Todo esse texto foi escrito depois de ter visto o filme duas vezes. Tudo que eu falei acima continua a ser verdade, os acertos e falhas. Mas se tem uma coisa que não da pra negar é como o Snyder colocou alma nesse filme. Alma de um verdadeiro fã de quadrinhos que está inventando histórias com seus personagens favoritos.

Synder não refilmou histórias (além de Excalibur, claro), ele está fazendo seu próprio universo com colagens do quadrinhos. Filme de fã pra fã. Ele esfrega na sua cara os sentimentos do filme.

Jamais ouve uma porradaria tão foda num filme de heróis quanto o combate entre o Superman e o Batman. Junto com aquela música, é uma obra de arte.

Esse filme é um presente pros fãs.

Como não se arrepiar naquela sequência inicial do filme, com a morte dos pais do Bruce, toda aquela sequência e fotografia, a maneira com que o tiro foi dado, pelo colar da Martha. Uma cena que grita por se só, sendo extremamente violenta sem derramar uma gota de sangue.

E as referências… Pra quem reclama que o Batman não mata, deveria ler um pouco dos quadinhos do Frank Miller. Existem sequências inteiras no filme que são uma cópia fiel dos quadrinhos, onde — pasme — o Batman está usando metralhadoras.

O Batman só puxa o gatilho, quem mata é Deus.

E, particulamente para mim a cena que é o ápice da conversa particular entre fãs que o Snyder fez, é aquela que o Superman está se recuperando após tomar uma bomba atômica na cara. É extremamente linda, e não dá absolutamente nenhuma explicação. Só o fã entende que a única coisa que ele queria era chegar mais um pouquinho mais perto do Sol.

E o Snyder também parece que foi a primeira pessoa do planeta a notar que o nome da mãe do Superman e do Batman são os mesmos.

Eu não consigo torcer pra que esse universo que a DC e o Zack estão montando dê errado. Apenas não sou capaz de ver minha franquia que eu torci e esperei tanto pra acontecer dê errado por que talvez alguém não irá dirigir ela de maneira ótima ou perfeita.

Todos os erros que eu comentei acima continuam a ser verdade e continuam a ser o que são: falhas. Por isso não podemos sair por aí apenas gritando aos quatro ventos que amamos o filme com todas as forças, apesar de, às vezes, a gente realmente querer fazer isso. Afinal, quem ama cuida.

No futuro, com o Universo da DC mais formatado, olharemos para trás e esse filme fará bem mais sentido do que faz hoje. Mas pra que isso realmente aconteça, a Warner vai ter que lutar com o seu maior inimigo e o que mais prejudicou Batman v Superman. E esse inimigo se chama:

Warner Bros.

Quem nunca come melado, quando come, acaba se melando.

Não que a Warner não saiba fazer dinheiro com seus heróis. Ela sempre soube, colocando um mamilo no Batman ali e fazendo uma trilogia ótima do Nolan acolá. Só que ela jamais havia visto seus heróis pelo prisma de estarem num único universo. Liga da Justiça? Só em sonho ou em desenho, amigos.

Muita gente nem lembra que inicialmente BvS iria sair em 2015, e atrasou 10 meses. Isso aconteceu pois a Warner finalmente notou que poderia montar um universo inteiro. Ótimo, finalmente está acontecendo.

E é uma coisa tão única que a Warner parece não saber lidar com a situação.

O excesso de expectativa que esse filme gerou por conta de seus trailers foi algo terrível. Os três trailers contam ao menos 80% da trama. Esse filme nunca precisou disso, não é um Agente 86 que as melhores piadas tem que aparecer no trailer se não ninguém ia comprar o ingresso.

E a mão da Warner também agiu muito pesado em cima do filme para este ser o ponto de expansão do universo. Como já citei acima, a Mulher Maravilha estar nesse filme já é absurdo, o que falar DAQUELA APARIÇÃO DO FLASH no meio da loucura do Batman. Esse filme já estava ótimo, não precisava socar um tanto de elemento que só fará sentido no futuro.

É isso o que mais me doi: dentro dessas 2h30 de filme, tem um filme maravilhoso do Batman (contra o Superman também) que dura uma 1h20 mais ou menos e é praticamente perfeito. Era esse o filme que a gente merecia, mas a Warner preferiu a megalomania de deixar claro que vai ter herói e não vai ser pouco.

Isso tudo, claro tem “motivos”. A DC/Warner chegou “atrasada” com isso de estar fazendo um universo cinematográfico em relação a Marvel/Disney. O problema é que essa competição só existe na cabeça dos fanboys e dos executivos da Warner.

A Marvel chegou primeiro, é fato. Nunca irá mudar. Querer fazer tudo rápido e as pressas só irá prejudicar a própria DC e ninguém além dela. Temos tempo, e com tempo, dá pra ter cuidado. Esperamos tanto pra acontecer, não é agora que a gente vai querer correr com isso.

Tu se controla, miga.

Reprodução/TV Bandeirantes

A melhor definição que pude dar sobre o filme é: um prato do Masterchef que a gente adoraria comer, mas a Paola certamente iria reprovar.

Vão no cinema. E vejam em IMAX. Nota 7.8/10, quatro estrelas no Rotten.

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Nunca foi sobre conhecer a mãe. Foi sobre como conhecer a mãe.

Você sabe que é verdade: a mãe nunca foi importante.

Se você fosse contar como conheceu o amor da sua vida para alguém, como você começaria?

Este post contém SPOILERS do último episódio de How I Met Your Mother.
Você está avisado.

Desde o início da noite ontem (31 de março de 2014) um fandom está dividido, brigando ferozmente entre aqueles que acharam o final excelente e aqueles que odiaram o final com todas as suas forças (coisa básica, fichinha ao que o fandom de Sherlock faz, por exemplo).

E eu estou do lado daqueles que amaram o episódio. E gostaria de lhe contar o porquê.

Antes deste episódio começar, assim como todo bom Series Finale, esperava que algumas perguntas fossem respondidas. Claro, cada uma tinha as suas (se você não tinha, tudo bem também) e as minhas eram as seguintes

  • Como é que a série iria encerrar?
    Com colegas até brincamos dizendo que a série ia se encerrar no frame que o Ted olhasse pra Mãe (que tem nome, mas quem diria, dona Tracy) e os créditos subiriam. Como realmente iria acabar? Se contasse algo depois de como ele conheceu a mãe, não faria sentido. No entanto, também não fazia sentido que terminasse exatamente no momento do primeiro olhar.
  • Por que é que o Ted estava contando aquela história pros filhos?
    Sério, qual o verdadeiro motivo de ele contar essa quase eterna história para os filhos? Não é possível que ele estava tão entediado que simplesmente resolveu contar por contar. (Por sinal, o Ted precisa ser estudado. Nunca vi alguém com uma memória fotográfica tão precisa, que lembra de coisas que inclusive, ele não estava sequer presente)
  • Por que diabos ele começou a contar a história daquele ponto?
    Oras, ele começou a contar a história de quando ele conheceu a Tia Robin. Porquê? Ao meu ver (antes do episódio, claro) a Robin deveria ter alguma relação intrínseca a como a mãe surgiu na vida de Ted. Ele poderia ter começado a história na faculdade, quando encontrou Marshmallow e Lilypad, ou quando encontrou o Legen-Barney-Dary. A Robin era chave de alguma coisa, que não estava claro. Não ainda.
  • Como aquele abacaxi foi parar ali? Auto-explicativa. Se contaram como apareceu, eu não vi.

Com essas perguntas na cabeça e sem esperar nada (mesmo, nem que essas perguntas fossem respondidas) e fui ver o episódio. E acho mesmo, que não poderia ter terminado de um jeito melhor.

Voltamos pra 2005. Quando a gang se reuniu pela primeira vez. Foi um pequeno lembrete de como é que nós conhecemos todos aqueles personagens. A relação entre os membros da gang é quase tão importante quanto cada personagem ali. E basicamente, ela foi a verdadeira protagonista do último episódio: como, ao passar dos anos, a relação entre eles foi sendo modificada.

A Mãe não faz parte da gang. Ela nunca foi importante.

Pós o casamento Robin&Barney, tivemos flashfowards (ou são flashbacks? Afinal, a série é narrada do futuro) dos anoss passando. E tudo, se confirmando. A mais óbvia e “menos importante” é a que o Marhshall vira juíz (e posteriormente, Supremo) nos indica que será mostrado o futuro de todos os personagens. No caso, isso me deixou bastante satisfeito, pois, afinal, a série não irá acabar no momento que o Ted conhece a Mãe (o que já tinha sido denunciado, pois ele viu ela anteriormente, no casamento).

Aí, vem o primeiro baque: o Barney e a Robin se separaram. Aquela cena deles na argentina foi incrivelmente encaixada de fato na história: e naquele momento, cumprindo sua promessa, é verdadeiro com Robin. E eles resolvem terminar.

Ás vezes é preciso viajar o mundo todo pra entender o que você quer. Talvez, seja entender que você está fazendo exatamente o que você quer fazer. Talvez, seja realizar que, na verdade, tudo que você sempre quis é ser quem você sempre foi.

Barney notou que casamento não era para ele. Que amar uma mulher não poderia ser o seu objetivo de vida. No entanto, o amor de Barney por Robin foi real. Os dois estavam tentando algo novo, inesperado para ambos. Tentaram e deu errado. Não tem nada de errado em tentar.

Curiosamente, Barney que acreditava que jamais amaria uma mulher de verdade, encontrou por acidente, a mulher da sua vida. Nem era a mulher que ele esperava nem o amor que ele esperava. No entanto, tudo verdadeiro. Se houve alguma reclamação que Barney “regrediu” como personagem, o amor verdadeiro dele por sua filha mostra que ele se tornou, aos trancos e barrancos, num homem de verdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Camões, manjador.

A Lily virou uma produtora de mini-seres-humanos profissional. Apesar de parecer um pouco apagada nesse episódio, ela que fez com que a gang permanecesse unida. Aliás, Lily sempre foi quem uniu a gang. Se a relação entre os membros fosse personificada numa pessoa, sem sombra de dúvidas, essa pessoa seria a Lily. E por isso ela ficou em prantos quando Robin foi embora do Apartamento vazio. A gang tinha acabado.

Mas, a relação entre todos os membros foi real. Não é por que a gang acabou que o que eles viveram foi mentira.

E a Mãe (me recuso a chama-la de Tracy)? A mãe era a The One. Não há dúvidas. Mas era a The One certa?

Muitas vezes na vida idealizamos a pessoa certa. Aquela pessoa perfeita, que nunca nos cansaríamos de conviver. Que seria a mãe perfeita, a mulher perfeita. Seria perfeita em todos os sentidos. E o Ted queria que a The One fosse assim. No entanto, nossa ideia de pessoa perfeita é realmente a pessoa que lhe completa de verdade.

A Mãe é o Ted de saias. É o espelhamento feminino perfeito do Ted. Faz todo sentido ele achar que Ela é a mulher da vida dele. Mas desde quando a vida faz sentido?

A própria Mãe, no dia do seu casamento, fez questão de tirar uma foto da gang. Ela estava ali, gritando (do jeito dela, claro), que não fazia parte daquilo. A Mãe era outra das 40 mulheres que Ted se envolveu, buscando a perfeição e uma felicidade plena. A única diferença dela para com as outras era justamente essa: ela era a mãe dos ouvintes da história.

Faltou foco, pessoal.

Tudo foi sobre o caminho. A série mostrou como o Ted encontrou a Mãe. O Como que é importante. Qualquer coisa que você consegue na vida, você só consegue trilhando um caminho. E olhando pra trás que as coisas passam a fazer sentido.

Ah… e a Robin. Não é possível falar da Robin sem falar do Ted e da Mãe. E dos filhos. Então vamos por partes, na medida do possível.

Primeiramente, como finalmente o Ted conheceu a Mãe. Apesar daquela senhora ali ser quase uma Deus Ex Machina, vamos fazer de conta que ela não existiu. Quando finalmente o Ted conheceu a Mãe… nada aconteceu. Principalmente, por que parecia muito que eles já se conheciam, por tudo aquilo que já tinha acontecido.

Talvez essa seja, indiretamente, o maior motivo dos fãs do lado de lá não terem curtido este final. De alguma maneira, criou-se a expectativa que o momento em que os dois se encontrariam seria algo mágico onde unicórnios dançariam e toda aquela chuva iria sumir e virar um belo arco-íris (e dane-se que era de noite). Não foi.

Encontrar a Mãe não foi especial. Encontrar a Mãe era o esperado pelo Ted. Sempre foi. E não há nada de espetacular quando o previsível acontece.

Eu sou como o cachorro correndo atrás do carro.
Não saberia o que fazer se o alcançasse.

Coringa, manjador.

A Mãe nunca foi importante. Como conhecê-la foi. A Mãe fez parte da estrada, parte da vida.

Em qualquer série você teria notado que um personagem anunciado desde sempre que só aparece no último episódio da penultima temporada não pode ser relevante de verdade pra história — não pode ser relevante como personagem.

Estar com a Mãe foi uma parte importantíssima da vida do Ted. Ele não estava se enganando. Ele não amava a Robin enquanto estava com a Mãe. Não é por que acabou que aquilo não foi verdadeiro.

Não é por que na verdade você passou a gostar de outra pessoa, que aquilo não foi verdade. Não tem nada de errado em tentar.

E sim. Ted amou Robin. E sim. Ted esqueceu Robin. Aquela mitológica e absurda cena da Robin voando tinham sentimentos verdadeiros. O Ted não era mais “aquele cara”.

Assim como Barney, da sua maneira, Ted precisou ir a um extremo pra precisar notar, depois que ele era aquele mesmo cara. Aquele cara que roubou um trompete azul pra entregar para sua amada.

Voltemos para a pergunta no topo do texto. Quando você vai contar como conheceu o amor de sua vida (seja o pra vida inteira, seja o do momento — que tomara que seja pra vida inteira) o que você fala? Você fala a primeira vez que a viu, ou começaria uma história enorme para chegar no seu ponto?

Seja sincero. Quantas vezes você não achou que a Mãe era a Robin? Quantas vezes você não quis que a Mãe fosse a Tia Robin?

Talvez, o Ted só se confundiu. O Ted foi contar como conheceu as mães dos filhos (por um motivo extremamente fantástico: a Mãe veio a falecer) e se confundiu, naturalmente, e contar como conhecer o amor da sua vida.

O nome da série é Como conheci sua mãe. Não Como conheci o amor da minha vida. Você nunca foi enganado. Se tivesse prestado atenção na história, assim como os filhos do Ted, veria o que sempre esteve na frente de todo mundo: O Ted ama a Robin. E ela é a Mulher da vida do Ted. E ele é o Homem da vida dela.

A vida não foi feita pra fazer sentido.

De onde diabos é que apareceu aquele abacaxi?

Pelo direito da química ser do mal e de conhecer a sua mãe

Porque não faz o menor sentido toda essa raiva contra a tradução e dublagens pelas tevês brasileiras — ”Você conhece o Ted?”

No meio do último janeiro corrente, a Rede Record trouxe a série mais aclamada do público para a TV aberta, e no horário nobre. E por alguma razão, o fato de manterem o nome original da mesma, Breaking Bad, foi comemorado por “espectadores” da série (explicação das aspas em breve).

Por outro lado, a Bandeirantes, outra emissora de TV aberta, também estreou uma excepcional série (sem o mesmo hype de Breaking Bad, mas com enorme público), a minha sitcom favorita, How I Met Your Mother. No entanto, o título desta foi traduzido para, vejam só, o conveniente “Como eu conheci sua mãe”. A internet, claro, achou um absurdo essa tradução, afinal se é pra importar conteúdo, que copiem tudo igual, certo? Não.

A maioria das salsinhas da Internet, a partir de um determinado momento, esquece que existe uma humanidade inteira fora da rede mundial de computadores. Tanta gente que estão divididas em subgrupos, sendo um deles os espectadores de TV. E, meu amigo tuiteiro, você não é um deles.

Aqueles que reclamaram da tradução do título de “How I Met You Mother” ou da inserção do subtítulo “Química do Mal” após Breaking Bad, tem um claro padrão: todos eles já assistiram as séries. Apesar de ser uma visão disturpada da situação, é até compreensivo (na visão deles) que isso não deveria acontecer, pois estaria tirando a “pureza” da série.

No entanto, vamos pensar por um minuto. Afinal, qual a tradução de “How I Met Your Mother”? Sim, “Como conheci sua mãe”. Literalmente. O público original, estadunidense, entende “Como conheci sua mãe”. Porque é que temos que manter o título original, se podemos traduzir o título e trazer exatamente a mesma experiência que um espectador original teria? Qual é realmente o problema da tradução? Português é de alguma forma mais feio que o Inglês para falar literalmente a mesma coisa?

Apresento-lhe Chris Rock, que você odeia

Se você por alguma razão respondeu que sim para a questão anterior, apresento-lhe o Chaves da Record, Todo Mundo Odeia O Cris. Seu título foi traduzido literalmente do original em inglês. E funcionou perfeitamente. E sabe por que funcionou? Porque você era o público.

E é pensando no público que os títulos são traduzidos. Você que já viu todas as temporadas e sabe as catch-phrases do Heisenberg não é o público da Record, que para as 11h da noite para assistir um seriado com um monte de comerciais no meio. Você que sabe quantas tapas faltam ou com quê o Barney trabalha não é o publico que a Band espera que vá assistir “Como conheci sua mãe”.

Você não assiste mais TV. No máximo, comenta sobre ela. Mas seu conteúdo não está mais na sua tela principal (que é a que você usa, quando quer assistir conteúdo).

Então, lembre-se que você, há pouco tempo atrás, odiava o Chris. E até hoje ri com o Chaves, e não com o Chavo del Ocho.

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